ARTIGOSReprodução Humana![]() Iniciando o Tratamento Os tratamentos atuais de Reprodução Humana oferecem boas taxas de sucesso. Cerca de três em cada quatro mulheres engravidarão com a adequada orientação terapêutica. Contrário a crença popular, os serviços de Medicina Reprodutiva, mesmo os com “alta tecnologia”, nem sempre são caros. A produção de novos medicamentos, a micro-cirurgia e as técnicas de reprodução assistida (TRA), fizeram com que a gravidez seja possível para a maioria dos casais que buscam o tratamento. A proposta da Medicina Reprodutiva é estudar e promover a saúde reprodutiva, identificar, prevenir e combater os fatores de infertilidade; diagnosticar as causas e tratar o indivíduo ou casal que sofre com a infertilidade. Logicamente, o objetivo final é que o processo reprodutivo se desenvolva até obtermos um bebê saudável, utilizando-se desde as técnicas mais simples, até as mais complexas, quando necessário. Tratamentos Clínicos No caso de fator masculino, a manipulação laboratorial do sêmen ainda é a forma mais eficiente de tratar as alterações seminais associando-a ou não à indução ovulatória da mulher. No fator feminino, condições como hiperprolactinemia, infecções como cervicites e endometrites, alterações imunológicas, sobrepeso e outras, também o tratamento medicamentoso têm fundamental aplicação. A estimulação (ou indução) ovariana da ovulação, no entanto, é uma importante ferramenta para a correção de disfunções ovulatórias, visando também aumentar a oferta de gametas femininos para a fertilização. Acaba sendo utilizada em praticamente todos os tratamentos de Reprodução Assistida, inclusive para os casais com fator masculino como única causa, na tentativa de potencializar as chances de gestação, tanto nas técnicas de Baixa como de Alta Complexidade. Tratamentos Cirúrgicos Tanto no fator masculino como no feminino, cabem cirurgias para correção das anomalias anatômicas. Para o homem, a reversão da vasectomia continua sendo a primeira opção terapêutica. Para a mulher a reversão de laqueadura tubária pela via tradicional ou por laparoscopia. Técnicas de Baixa Complexidade São assim denominadas a Relação Sexual (ou Coito) Programada e a Inseminação Artificial Intra-uterina. Nos dois procedimentos, a mulher é submetida à estimulação ovariana sob monitorização ultra-sonográfica do crescimento folicular, para se predizer o momento da ovulação respeitando-se sempre os limites de segurança. Nestas duas técnicas o intuito é o de se oferecer chances semelhantes às de um casal normal que tem relação no período fértil, ou seja, em torno de 20%. A Inseminação Artificial é um procedimento simples e não requer qualquer tipo de anestesia. Técnicas de Alta Complexidade Também denominadas de Técnicas de Reprodução Assistida (TRA). São realizadas no laboratório, com preparo do sêmem e dos óvulos, portanto “in vitro”. Fertilização “in vitro” clássica com transferência de embriões (FIV-ET) Após a obtenção, seleção e preparo dos óvulos e espermatozóides, ambos são colocados numa placa no laboratório para que haja a fertilização espontaneamente. A seguir, os óvulos fertilizados são acompanhados em seu desenvolvimento, sendo transferidos após 2 a 5 dias para a cavidade uterina, através de catéter específico. O número de pré-embriões transferidos varia de acordo com o caso, podendo ser de 1 a 4. Injeção intra-citoplasmática de espermatozóides (ICSI) Indicada na falha da FIV-ET clássica, fator masculino grave com a utilização de poucos espermatozóides do ejaculado ou obtidos por procedimentos cirúrgicos, fator imunológico seminal, além de outras causas. Consiste na injeção de um único espermatozóide diretamente no interior do óvulo, através da técnica de micromanipulação dos gametas. Os óvulos serão fertilizados e, após acompanhamento e seleção, os pré-embriões serão transferidos como na FIV-ET. Cada vez mais utilizado como primeira opção de técnica de alta complexidade devido ao grande potencial de fecundação dos óvulos, independentemente da condição seminal ou da qualidade dos óvulos. Criopreservação de embriões Atualmente já é possível oferecer a criopreservação para pré-embriões que tenham boa qualidade e não foram transferidos no ciclo em que foram gerados ou devido as condições inadequadas da mulher naquele momento. Nestas situações, os pré-embriões congelados podem permanecer armazenados para uso futuro permitindo que cada um possa, depois de descongelado, ser transferidos em outro ciclo com preparo adequado da cavidade uterina. Com boas técnicas, as chances são semelhantes às dos pré-embriões frescos. Doação de óvulos Opção adotada, com consentimento e por interesse de casais, em casos em que a idade ou outras condições da mulher, não permitam a obtenção de óvulos viáveis para a fertilização. As doadoras são mulheres jovens triadas para que não haja risco de transmissão de doenças contagiosas ou alterações genéticas, e sob sigilo absoluto para ambas e entre si. Os óvulos fertilizados com sêmen do marido da receptora serão transferidos para seu útero, dando à mesma, chances equivalentes àqueles dos ciclos de TRA de mulheres jovens. As doadoras são selecionadas respeitando as características físicas, semelhança racial e sanguínea da receptora. Doação de pré-embriões Indicada para casais em que ambos não podem utilizar seus próprios gametas. A doação foi decidida previamente por outros casais que tem bons embriões congelados e que por vários motivos desistiram de utilizá-los. Assim, estando disponíveis, poderão atender os interessados que preencham as normas e características biológicas de recepção, mantendo-se o sigilo de origem e destino dos pré-embriões. Cessão temporária de útero Utilização do útero de outra mulher para receber os pré-embriões gerados por FIV ou ICSI com gametas dos pais biológicos por ausência ou disfunção grave de útero ou ainda condições que coloque em risco a vida da mãe biológica. Podem ser receptoras as parentes próximas de até segundo grau como irmã, prima, mãe, tia ou cunhada, ou qualquer mulher, após autorização do Conselho Regional de Medicina. Diagnóstico genético pré-implantacional Técnica em que os pré-embriões que atingem mais que 6 células podem ser submetidos a retirada de uma das células (blastômero), após abertura da membrana (zona pelúcida), sendo seu material cromossômico avaliado por técnicas especiais para detecção de alterações responsáveis por doenças hereditárias ou cromossômicas como, por exemplo, a Síndrome de Down (trissomia de cromossomo 21). Nesta técnica os pré-embriões afetados diagnosticados não são transferidos, evitando-se o risco do desenvolvimento de fetos portadores destas alterações genéticas. Já os não portadores de tais anomalias podem ser transferidos dando chances de implantação e desenvolvimento de fetos normais ao casal. Também é diagnosticado, simultaneamente o sexo cromossômico do pré-embrião. São indicações para tal procedimentos as falhas repetidas de implantação em ciclos de FIV, idade materna avançada e histórico de doenças genéticas familiares específicas. Resultados Doze dias após a transferência embrionária, são realizados exames de sangue para o diagnóstico da gestação. Se o resultado for positivo, o tratamento continuará e será indicado exame de ultrassonografia para diagnóstico do número de embriões implantados, sua vitalidade e localização.
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